CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO PESSOAL
Então, e o que é isto de «Aconselhamento»?!
Nada de dar conselhos! Nascido da terapia humanista de Carl Rogers, o Aconselhamento é, digamos, um género de psicologia que não se foca tanto na doença, nem necessariamente a procura. O objectivo é colocado na busca de solucionar problemas mais ou menos concretos, devidamente identificados, que a pessoa não está a conseguir ultrapassar.
“It is through the act of reflecting where understanding emerges (...)” Neil Gibson, 2021

Foto: Joaquim Chaves
As emoções mostram na forma como o nosso corpo reage aquilo que se passa na nossa mente. Podendo ser consideradas como agradáveis ou desagradáveis, as emoções são vividas no corpo, e são reflexo das vivências e estímulos a que estamos sujeitos.
António Damásio (2003) defende existirem emoções básicas, de origem inata, emoções secundárias e emoções de fundo; quando tais sensações se prolongam no tempo, tornam-se estados de humor, podendo, com o aumento da sua incidência e invalidação, vir a incorrer em diagnóstico de perturbação mental.
Apesar de muitas pessoas decifrarem as emoções dicotomicamente (boas / más), todas elas são realmente importantes e úteis, funcionando como bússolas internas que podem potenciar o desenvolvimento e o crescimento pessoal. Muitas vezes mal conotadas, as emoções que geram sensações desagradáveis tendem a ser controladas, dissimuladas ou, até mesmo, é negada a sua presença. Tal pode gerar o desenvolvimento de reações fisiológicas/psicossomáticas que afetam o bem-estar da pessoa de tal forma que a situação se torna invalidante.
A ajuda da Psicologia também passa por aprendermos mais sobre o nosso próprio corpo, a ouvir melhor o que ele tem para nos dizer, e a aumentar a nossa consciência sobre como a ansiedade (e outras emoções) se refletem em sensações altamente FÍSICAS. Estarmos mal e não conseguir respirar, termos dores constantemente, enxaquecas, alterações da memória e da atenção… Não é uma coisa do além… é ciência! Ou seja, é quando estamos em luta com as nossas próprias emoções (não queremos estar tristes, não queremos estar chateados, não queremos estar ansiosos…) que corpo e mente começam a dar conta do mau estar interno que se vive!
A emoção dá vida, dá movimento, é parte constituinte do nosso ser. Entender as nossas emoções é imperativo para que nos possamos compreender melhor a nós próprios e, quem sabe assim, ganhar maior controlo sobre as nossas reações!
Neste tipo de relação de ajuda, quando a proposta é a abordagem cognitivo-comportamental e humanista, o olhar está no presente.
Primeiro que tudo, há que orientar o foco da terapia para o alívio dos sintomas (angústia, ansiedade, tristeza, ….) e, logo depois, para o treino de uma melhor capacidade de observar. O objectivo é colocado na busca de solucionar problemas mais ou menos concretos, que a pessoa não está a conseguir ultrapassar sozinha - e começando pelos mais fáceis, se possível!
Após algum alívio emocional e com o “andar da carruagem”, pressupõe-se que as causas mais profundas do mau estar ou disfuncionalidade vão sendo entendidas com o desenvolvimento do próprio processo.
O terapeuta funciona como um mediador, por um lado, das questões que a pessoa tem de si para consigo e, por outro, como um desafiador, alguém que coloca questões, promove a reflexão e desafia a mudança de comportamento.
Mas não esquecer que cada decisão está do lado da pessoa que procura este serviço: pois é ela quem melhor sabe de si.